No dia 16 de maio, a Unidade Campinas Macunaíma se transformou em um espaço de profunda reflexão e ebulição artística. O tradicional Café Teatral abriu suas portas para receber ninguém menos que Renato Ferracini, ator e pesquisador do renomado LUME Teatro (Unicamp).
Em uma tarde marcada pelo afeto, pela escuta atenta e pela densidade conceitual, o encontro orbitou em torno do tema “Corpo e Presença”. E se integrou perfeitamente à grande investigação que guia as nossas salas de aula ao longo deste semestre: as Corporeidades.
A atmosfera do Café Teatral sempre carrega uma informalidade acolhedora, mas a presença de Ferracini elevou o debate a uma camada profunda de autoconhecimento cênico. O pesquisador, que há décadas investiga as fronteiras físicas e energéticas do ator e da atriz, compartilhou com os participantes a ideia de que o corpo não é apenas uma ferramenta de trabalho ou um suporte para o texto, mas o próprio acontecimento teatral em si.
A discussão fluiu de maneira orgânica, provocando o público a pensar sobre como a rotina de ensaios e a lapidação técnica se traduzem em uma assinatura única no palco. Esse intercâmbio entre a proposta pedagógica do Macunaíma e a bagagem de pesquisa do LUME oxigenou o pensamento dos estudantes, evidenciando que a formação artística se consolida justamente na fricção de ideias e no compartilhamento de experiências pulsantes.
Ao destrinchar o binômio “Corpo e Presença”, Renato Ferracini instigou os presentes a abandonarem a visão dualista ocidental, que insiste em separar a mente da matéria física. Para o pesquisador, a presença cênica não deve ser encarada como um dom místico ou um carisma intocável, mas sim como um estado técnico de prontidão, de engajamento absoluto com o aqui e o agora e, acima de tudo, de alteridade com o espectador.
Essa perspectiva dialoga diretamente com o tema condutor do nosso semestre, as Corporeidades, que propõe um mergulho nas múltiplas formas de existir, resistir e se expressar. Os alunos e alunas foram convidados a enxergar suas próprias corporeidades não como um padrão estético a ser alcançado, mas como um território político e poético, repleto de memórias e potências que se atualizam a cada segundo em que o artista se coloca no espaço de representação.
O impacto do encontro certamente continuará reverberando nos corpos e nas mentes dos nossos estudantes ao longo das próximas semanas. Ao conectar a sabedoria prática de um dos maiores nomes do teatro físico brasileiro com a inquietude acadêmica e artística da Unidade Campinas, o Café Teatral Macu cumpriu seu papel mais nobre: o de acender faíscas criativas e desacomodar certezas.
A investigação em torno das Corporeidades ganha agora um novo fôlego e novas perguntas. Afinal, saímos desse encontro munidos da certeza de que o corpo do ator e da atriz é um arquivo vivo, uma fogueira acesa capaz de inaugurar mundos inteiros e afetar o público por meio de um único, consciente e presente gesto.