A grande jornada de investigação sobre as Corporeidades que move as salas de ensaio do Macunaíma neste semestre ganhou um capítulo profundamente sensorial prático. No dia 29 de maio, a Unidade Barra Funda sediou um encontro marcante com a professora e pesquisadora Luíza Fonseca.
Sob o provocativo título “Intensidades do Corpo: Práticas de Percepção Ativa”, o evento reuniu estudantes, atores, atrizes e entusiastas dispostos a tensionar os limites da sensibilidade cênica, transformando o espaço da escola em um verdadeiro laboratório de experimentação física, afetiva e reflexiva.
Conduzido com uma delicadeza rigorosa, o encontro propôs uma imersão nas micropercepções que habitam o trabalho cotidiano do ator e da atriz. Luíza Fonseca provocou os participantes a deslocarem o foco do movimento puramente mecânico ou coreografado para a qualidade da energia que de fato gera e move a ação física.
Através de dinâmicas práticas que envolveram respiração, modulação do tônus muscular e expansão da consciência espacial, a professora demonstrou como a percepção ativa funciona como uma ferramenta de sobrevivência no palco. Trata-se da capacidade do artista ler o ambiente em tempo real, reagir organicamente aos estímulos do parceiro de cena e projetar sua presença, sem a necessidade de grandes arroubos virtuosos.
Essa abordagem prática trouxe contribuições fundamentais e muito ricas para o tema que orienta os nossos estudos ao longo deste período letivo: as Corporeidades. Luíza Fonseca instigou o grupo a pensar o corpo não como uma estrutura estática, anatômica ou um bloco rígido de técnicas acumuladas, mas sim como um emaranhado de intensidades em constante variação e fluxo.
Investigar as corporeidades sob a ótica da percepção ativa significa aceitar que cada corpo carrega um ritmo biográfico, uma densidade própria e uma voltagem poética que se alteram radicalmente a partir do encontro com o outro e com o espaço de representação. Foi uma oportunidade valiosa para que os alunos e alunas compreendessem que a intensidade dramática não se força; ela nasce, antes de tudo, de um corpo disponível, que sabe perceber o mundo ao seu redor antes mesmo de tentar expressar qualquer coisa.
Ao final da atividade, o sentimento compartilhado nos corredores da Unidade Barra Funda do Macu era de revitalização e abertura para o novo. As práticas propostas por Luíza Fonseca funcionaram como um convite irrecusável para desacelerar o automatismo do cotidiano e reativar a inteligência sensível da pele e dos músculos, algo indispensável para a construção de um teatro que se pretenda de excelência e, acima de tudo, vivo.
As reflexões teóricas e as descobertas corporais desse encontro certamente continuarão a se desdobrar nas salas de aula e nos ensaios de montagem pelas próximas semanas. Elas alimentam as pesquisas práticas dos alunos e alunas do Macu e consolidam o entendimento de que a nossa corporeidade é, em última análise, o nosso manifesto político e poético mais potente dentro e fora de cena.